domingo, 21 de agosto de 2011

FW: DI-CERTA-AÇÃO (Genial)




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Subject: FW: DI-CERTA-AÇÃO (Genial)
Date: Wed, 22 Jun 2011 14:51:57 +0100


> DI-CERTA-AÇÃO (Genial)
>
> Esta é uma redação feita por uma aluna do curso de Letras da UFPE
> (Universidade Federal de Pernambuco - Recife), que obteve vitória em um
> concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática
> Portuguesa.
>
> Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no
> elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos
> bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido,
> feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado
> nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um
> sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e
> filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos,
> num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou
> a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as
> reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
>
> De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o
> substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo
> depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se
> movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do
> substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu
> aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma
> fonética clássica, bem suave e envolvente. Prepararam uma sintaxe dupla
> para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num
> vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele
> foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um
> imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo
> direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele
> sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula,
> que nem um período simples passaria entre os dois.
>
> Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não
> perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro
> que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às
> vontades dele, e foram
> para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa.
> Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada
> vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu
> predicativo do objeto, ia tomando conta.
> Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um
> perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu
> grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu
> repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo,
> e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram
> gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver
> aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo
> auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
> Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
> todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto
> adnominal. Que loucura!. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo
> absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com
> aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.
> Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao
> seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as
> condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao
> gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo
> feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo
> indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um
> ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo,
> jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua
> portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa
> conclusiva.
>
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